Publicado no blog de Jorge da Cunha Lima, em 23/04/2009
Jorge da Cunha Lima
“Ética, jornalismo e nova mídia” é um grande puzzle de todo o conhecimento que leva um profissional a duvidar de sua profissão. E essa é a primeira lição que nos dá o jornalista, agora escritor, Caio Túlio Costa.
Nascida sob a égide da verdade, da justiça e da ética, mas realizada desde as origens como um negócio, a comunicação é a mais ambígua das realizações humanas. Até então de uma ambigüidade a serviço do poder e do mercado, hoje, um poder solto no ar. Sejam os ares da opinião pública, seja o da criação individual.
Qual a ética desse caos produzido por uma comunicação multilateral?
Qual a compreensão dos acontecimentos possível nessa versão espetacular ou analítica dos fatos?
Caio Túlio nos enche o espírito de hipóteses refletidas. E o faz retrocedendo a história acadêmica do jornalismo de alguns séculos e recontando sua ética desde as tragédias artísticas de Sófocles à tragédia real de Sócrates.
Depois, sem humildade nem arrogância, percorre todos os patamares históricos e intelectuais da comunicação para nos elucidar sobre os degraus e os obstáculos éticos e morais desse percurso.
Nestes tempos de moral provisória e ética em moratória, a aula escrita de Caio Túlio torna-se relevante e indispensável.
Afinal, nos coloca entre Sócrates, Antígona, Hamlet e o Cidadão Kane.