Debate sobre inovação de conteúdos digitais

PUBLICADO NO CORREIO BRAZILIENSE EM 24/05/2014 às 17:21 e atualizado às 21:42

Evento, feito em parceria com o Correio Braziliense, tem como objetivo estudar como a rede pode se tornar um novo modelo para distribuição de notícias e de captação de recursos

Por Matheus Teixeira

Embora tenha sido inventada na década de 1960, as pessoas em geral começaram a ter acesso à internet somente no século 21. A plataforma, portanto, é muito recente no cotidiano da sociedade. Para discutir essas novas possibilidades de comunicação, na próxima terça-feira à noite [27/5/2014], haverá o debate gratuito Modelos de inovação em conteúdos digitais, no auditório da Câmara Legislativa. Entre os convidados para falar sobre o tema, estarão Caio Túlio Costa, executivo na área de comunicação digital; Alexandre Botão, editor de Esportes e de conteúdo digital do Correio Braziliense; e a publicitária Heloisa Rocha.

Caio Túlio Costa será o principal painelista. Com longa carreira no jornalismo, ele é doutor em ciências da comunicação, foi secretário de redação e ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, fundou o site do UOL e presidiu o portal Ig. Na Câmara, ele discorrerá sobre um estudo que fez na Universidade de Columbia, de Nova York, no ano passado. “Minha pesquisa traz uma sugestão de modelo de negócio para o jornalismo no meio digital de hoje em dia”, antecipa.

Ele afirma que grandes empresas de comunicação de todo o mundo ainda baseiam a maior parte dos rendimentos dos meios impressos, e têm dificuldade em dar rentabilidade às operações de internet. Segundo o jornalista, a nova forma de distribuição de notícias precisa ser pensada com seriedade, principalmente na questão de publicidade e abertura de conteúdo ao público em geral. “Precisamos de uma terceira fonte de recursos, que é a produção de serviços de valor adicionado. Essa é uma expressão da indústria de telecomunicações, que visa transformar a tradicional empresa de informação em uma empresa de serviços”, defende.

O diretor de comunicação e eventos do Instituto Illuminante, Ronaldo Clay, que organizou o debate em parceria com o Correio, acredita que discussões como a da próxima terça-feira são necessárias para os meios de comunicação se reinventarem. “Todos estão buscando novos rumos para a comunicação. Esse tema vem sendo tratado intensamente nas redes sociais, e queremos trazer os internautas para o debate ao vivo”, convida. Ele chama a atenção para a revolução que as redes sociais provocou nos meios de comunicação — e o problema da falta de confiabilidade em notícias distribuídas em tais meios, sem a checagem dos fatos que ocorre nas mídias tradicionais. “Hoje, um usuário pode informar o que quiser a todos os outros usuários quando bem entender. Não há mais o monopólio, a exclusividade dos veículos de comunicação em passar as informações”, destaca.

Dificuldades

Costa ressalta, porém, que a solução do problema é muito mais complexa do que parece. A formação de profissionais, por exemplo, é essencial para que os jornalistas saiam da universidade com uma visão mais ampla. Do mesmo modo, quem já está nas redações precisa também de renovação constante em relação às necessidades das novas tecnologias. “Há uma disputa de gerações. As redações devem ser compostas também por gente mais nova, principalmente porque eles têm mais intimidade com a tecnologia. E não é só. Tanto o impresso quanto a internet deveriam produzir conteúdo mais direcionado aos jovens. São potenciais leitores desprezados pela maioria”, defende.

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