Com vocês, o Prosumer maduro

Em sites como o Buscapé, produtos são avaliados pelos visitantes

Em sites como o Buscapé, produtos são avaliados pelos visitantes

Consumidor se tornou espécie de resenhista de serviço

Prosumer é expressão em voga. Não é nova. Foi cunhada no final da década de setenta por Alvin Toffler no best-seller A Terceira Onda, a partir da contração de produtor e consumidor. Descrevia o consumidor do futuro destinado a se envolver com a concepção e a fabricação de produtos. Essa contribuição tornar-se-ia parte do sistema de produção. Toffler pensava no usuário como precondição para o funcionamento adequado de tudo o que seria produzido no futuro. Para ele, o mercado não continuaria a ser um “despejador” de mercadorias nas prateleiras para um consumidor passivo. Este futuro comprador iria se envolver criativamente no processo de definição dos produtos.

O mundo andou, o futuro chegou (um pouco diferente do que pensava Toffler a este respeito) e já existem os consumidores que participam de alguma forma da produção das mercadorias e dos serviços. E a expressão prosumer ganhou novos significados. Como anota o site Word Spy, existem quatro definições diferentes:

1. Prosumer seria um consumidor que é amador em determinado campo, mas conhece o suficiente para exigir que o equipamento tenha algumas características profissionais (profissional + consumidor).

2. Prosumer seria uma pessoa que contribui para a concepção ou personalização dos produtos que compra (produtor + consumidor).

3. Prosumer seria uma pessoa que cria mercadorias para uso próprio e possivelmente também para vender (produzir + consumidor).

4. Prosumer seria a pessoa que toma medidas para corrigir as dificuldades com empresas ou consumidores e mercados para antecipar problemas futuros (proativo + consumidor).

No entanto, de forma corriqueira, na rede movida pelas pretensões da web 2.0, a expressão define de maneira cada vez mais enfática aquele consumidor que se tornou também um produtor de avaliações de produtos, um resenhista de serviços e um analista da qualidade de tudo aquilo comprável e comparável nos sites de comércio eletrônico. Qualquer um pode deixar seu comentário num site comercial e os consumidores em geral podem se orientar (ou se desorientar) em relação aos produtos lendo comentários dos outros ou postando eles mesmos as suas avaliações de um produto ou serviço.

Essa participação dá um poder inédito ao consumidor. Ele passa a ter um elemento a mais de comunicação com seus pares compradores – desde que, evidentemente, os administradores do site em questão permitam a publicação de críticas aos produtos vendidos ou ao próprio serviço. Nos sites de comparação de preços os comentários são mais livres. Nos sites que representam fabricantes os comentários podem ser filtrados e/ou mediados.

Num site como o Buscapé uma visita revela muita utilidade para quem adquirir um aparelho novo de televisão, por exemplo. Procure qualquer coisa e veja como ele maneja bem as diferentes opiniões e avaliações do usuário. Naveguei ao acaso na página de avaliação de uma TV Samsung de tela plana e 40 polegadas. Havia 26 comentários quando estive lá. Do total, 23 recomendavam o produto e três não o recomendavam. O site também apresentava uma avaliação geral com base na média das opiniões e notas postadas. O produto ganhou quatro das cinco estrelas possíveis. Havia notas médias para o design (9,2), para as funções (8,4), para a qualidade da imagem (8,2), para o custo-benefício (7,6), para a durabilidade (7,2) e para a qualidade do som, com a nota pior: 6,4.

Os comentários são reveladores, como o de Filipe Andrade: “Fiz ótima compra, pois estava consciente sobre as limitações do produto antes de adquiri-lo (…) Ao comprá-la, já comece a pensar no Home Theater, pois o som não acompanha toda a gama de tecnologia que o televisor oferece em imagens. E a coisa mais importante: espere para comprar na hora certa com o valor certo. Há um ano, o mesmo televisor (porém da geração anterior) custava R$ 2 mil mais caro. (…) Prós: O design é maravilhoso. Não se vê imagens fantasma (tempo de resposta rápido). Cores vibrantes, contraste bom para TV’s de LCD, suporte técnico Samsung de ótima qualidade. Contras: Som é péssimo! (…) Algumas funções, como PIP, são limitadas, ou seja, só funcionam quando se tem conexões especificas no aparelho. As legendas dos filmes mudam de intensidade conforme a luminosidade das cenas. As cores não são tão vibrantes quanto plasma. Tenho e recomendo.” Havia mais: 64 das 65 pessoas que leram o post consideram a opinião útil.

A palavra prosumer não é apenas mais um termo qualquer na inumerável quantidade de palavras novas que surgem a cada dia para significar coisas passageiras. Aquele consumidor capaz de interferir na qualidade de um produto ou de um serviço sempre existiu. Ele não tinha meios fáceis de tornar essa sua capacidade pública, não tinha como divulgá-la de forma geral. Agora tem.

* Caio Túlio Costa é jornalista, presidente do Internet Group – que reúne os portai iG, iBest e BrTurbo. Artigo publicado no semanário especializado Meio & Mensagem, edição de 11/2/2007, à pág. 8.

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