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Blogs mais linkados falam inglês, mas grande campeão de visitas é chinês

Blogs mais linkados falam inglês, mas grande campeão de visitas é chinês

Blogs mais linkados falam inglês, japonês e chinês

Existe um site que faz o ranking dos blogs mais visitados do mundo, o Technorati, expert no assunto. O blog campeão, veja só, é chinês. O levantamento mostra os maiores produtos da blogosfera medidos pela quantidade de links que remetem a eles, nos últimos seis meses.

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O blogueiro brasileiro Fabio Seixas examinou quais as línguas dos blogs mais “linkados”: em inglês são 85 blogs (incluem os dos Estados Unidos e os do Reino Unidos, em maioria); 13 são de línguas orientais (segundo o Seixas, “aparentemente 10 japoneses e três chineses”); há um único blog em italiano, um em espanhol e um em francês.

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Se o espanhol é a segunda língua mais falada no mundo, então surge a pergunta: por que os sites em espanhol não se desenvolvem no mundo hispânico como os sites da China, sendo que na China as restrições à internet são imensas? Evidente que é por questões culturais. Cada país onde se fala espanhol tem sua própria cultura e as fronteiras na internet não são geográficas, são culturais. E a China é um bloco só, de mais de 1,2 bilhão de habitantes.

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Apocope. Vem do grego, significa derrubar uma ou duas sílabas do final das palavras. Como escrever “admin” em vez de administrador, “ver” em vez de revista, “pro”, em vez de profissional, “glam”, em vez de glamour, “apo” em vez de apocope. Apocope-se para estar na rede.

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Web 2.0. Diga uéb dois ponto zero. É a nova maneira dizer que, na Internet, conteúdo é tudo. Sem conteúdo, não há como mostrar anúncio. Sem conteúdo que prenda o internauta, não tem possibilidade de dar eficiência à publicidade na web. Acostume-se: web 2.0.

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Scott Karp, um dos colunistas mais branchées da web, diz que a Web 2.0 aposta na participação ativa do usuário comum, o não profissional, na produção de notícia e de informação. Afirma que esta é a onda. Ele não tem dúvida de que esta mecânica já tem audiência de nicho e se pergunta se funcionará para audiência de massa. O que você acha?

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Em uma outra coluna, o mesmo Scott Karp comenta artigo da revista Times no qual se pergunta quem pagará para ter TV agora que existem os DVRs (com “ad-skipping”, o mecanismo que faz pular os anúncios) e o vídeo sob demanda na banda larga, ambos trabalhando celeremente para destruir o modelo tradicional de publicidade nos meios de comunicação de massa. Se a nova geração de conteúdo digital estiver baseada na geração de vídeos amadores, para que continuar a investir na muito cara produção profissional de vídeos? Coisa para o mercado resolver.

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A velha mídia tem noticiado que a FIFA nunca fez tantas restrições à internet como nesta Copa. Fechou o que pôde e cobrou o que quis para vender as transmissões ao vivo das partidas e dos gols e jogadas em tempo diferido. Ou seja – muitos portais pagaram caro para transmitir os gols uma hora depois de terminadas as partidas e muito mais caro para transmitir partidas ao vivo. Não funcionou. Sites piratas, especialmente na China, transmitem ao vivo as partidas, os gols estão nos sites de vídeo imediatamente depois – há aqueles que fazem filmagens diretas nos estádios com suas câmaras em celulares, muitas dessas cenas disponíveis no You Tube. Quanto mais se tenta amarrar as pessoas em rede, mais elas encontram meios de escapar.

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Outra coisa que muda rapidamente, e parece sem volta, é a nova maneira de trabalhar, de contratar, coisa corriqueira na nova mídia e que contaminou a velha mídia em escala global. Os empregos temporários são agora a grande tendência do mercado de comunicação, em especial o jornalístico. Essa conclusão está no relatório The Changing Nature of Work: A Global Survey (A Natureza Mutável do Trabalho: uma pesquisa global), realizado pela Federação Internacional de Jornalistas. Foram ouvidas 41 empresas de mídia em 38 países, e o resultado é que 30% dos ouvidos trabalham como free-lancers. Outro dado pescado pela pesquisa: o mercado substitui os seus profissionais mais experientes por jornalistas recém-formados, com salários menores – 54% dos ouvidos confirmaram que o salário médio diminuiu nos últimos cinco anos.

Publicado no jornal Meio&Mensagem de 3/7/06 à pág. 8.

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