AOL pode mudar o curso de sua balsa

O portal AOL estuda a idéia de abrir seu conteúdo para qualquer usuário

O portal AOL estuda a idéia de abrir seu conteúdo para qualquer usuário

Conteúdo do portal deve passar a ser gratuito

O mercado aguarda o anúncio da America Online para explicar o vazamento de notícia, na velha mídia, pelo qual se soube que a AOL pode vir a oferecer todo o seu conteúdo, de graça, para os seus clientes de banda larga. Isso é uma grande novidade. O furo foi do Wall Street Journal.

Foi a AOL, quando ainda era BBS (iniciais de bulletin board system), um sistema que permitia conexão on line entre computadores sem usar o protocolo da internet, que deu sentido a conteúdos exclusivos na rede. Até então, BBSs concorrentes, como Compuserve e Prodigy, trabalhavam de forma tímida com conteúdos de terceiros. A AOL nasceu, lotou-se dos mais diversos produtos para os mais diferentes paladares e ganhou mercado. Levou a Prodigy à falência, desbancou e comprou a Compuserve, abraçou a internet e virou quase monopólio, nos EUA, com mais de 30 milhões de assinantes. Isso nos tempos em que o acesso vinha somente pelo telefone discado, a banda lenta. O crescimento exponencial da rede, a infinita oferta de conteúdos, e a multiplicidade de acessos rápidos fez a coisa mudar e o mercado agora arreganha os dentes para o modelo de negócios da AOL.

Com o passar de poucos (e velozes) anos, dois fenômenos, Yahoo e Google, se sobressaíram num modelo diferente daquele “patenteado” pela AOL, que mistura receitas majoritárias de assinaturas de acesso com receitas minoritárias de publicidade. Cerca de 80% do faturamento da AOL provêm das assinaturas. Esse faturamento vem caindo por conta da queda na quantidade de assinantes, que trocam a AOL por outros provedores, em especial os de banda larga, mais em conta.

Os números da AOL mostram a queda do faturamento com clareza diabólica: a receita com assinaturas caiu 10% em 2005. Os 7,5 bilhões de dólares conquistados com assinantes em 2004 viraram 6,7 bilhões de dólares em 2005. A receita com publicidade foi a receita que subiu. Veio de 1 bilhão de dólares para 1,3 bilhão de dólares, aumento de 33%.

A alternativa corre em paralelo com empresas cujos modelos dispensam faturamento com assinatura e se fundam majoritariamente na receita com publicidade.

O Yahoo faturou 5,2 bilhões de dólares em 2005 (cresceu 47% em relação ao ano anterior, que havia crescido 120% em relação a 2003 e que, por sua vez, crescera 71% em relação a 2002). Nos primeiros seis meses deste ano, o Yahoo faturou 3,1 bilhões de dólares contra 2,4 bilhões de dólares no mesmo período no ano passado – cresceu 30%.

O Google, que é mais novo, ultrapassou o Yahoo. Conquistou 6,2 bilhões de dólares em 2005, num crescimento de 92% em relação a 2004, que cresceu 118% em relação a 2003, que cresceu 234% em relação a 2002. No primeiro semestre deste ano, faturou 4,7 bilhões de dólares contra 2,6 bilhões de dólares no ano passado – cresceu 78%! – e vai encontar no faturamento da AOL sem precisar vender assinaturas.

Pois a Time Warner, hoje dona da AOL, observa o mercado e não deixou de ver, por exemplo, que o site de relacionamentos MySpace, adquirido pelo magnata Rupert Murdoch, foi campeão de alcance junto ao público americano, no começo de julho, com 4,46% de todas as visitas às páginas da internet contra o até então campeão, o Yahoo. Mais um no pedaço. Pouco importa se o MySpace ainda luta para achar seu modelo de negócio. Com certeza, estará baseado em publicidade, não tem importância se na forma de links patrocinados, combinada ou não com a forma tradicional dos banners, pop-ups e bottons consagrada na web.

Outro motivo de preocupação é o valor de mercado da Time Warner inteira, que inclui em seu balanço a AOL. Ela tem um valor de mercado de 68 bilhões de dólares, quase a metade do valor do Google: 117 bilhões de dólares.

Enfim, somando todas as suas receitas, a AOL faturou 8,3 bilhões de dólares em 2005 e “apenas” 1,33 bilhões de dólares em publicidade, quase cinco vezes menos que o Google, quatro vezes menos que o Yahoo. Tudo indica que a AOL vai virar a proa de sua balsa para a publicidade e será um belo espetáculo acompanhar essa movimentação – se o furo do Wall Street Journal se consumar.

Caio Túlio Costa, professor de Ética Jornalística na Cásper Líbero, é jornalista, diretor presidente da Brasil Telecom Internet, que reúne o iG, o BrTurbo e o iBest. Este texto foi originalmente publicado no semanário Meio & Mensagem, edição de 31 de julho de 2007 à pág. 8.

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