Réquiem para o pop-up

O pop-up deve dar lugar a elementos que atrapalhem menos a navegação

O pop-up deve dar lugar a elementos que atrapalhem menos a navegação

Caio Túlio Costa fala sobre o fim dos pop-ups que pipocam pela rede

Se você fizer uma pesquisa na rede sobre o assunto pop-up, aquela janela quadrada que pipoca sobre a página de seu site predileto quando você mais quer ver o que está por baixo, vai achar até soneto contra o mesmo:

“Mas que grande confusão / Que se formou em minha tela / Abriu-se uma janela / Atrapalhando minha visão / Sem aviso ou previsão / Fez a propaganda dela / De forma pouco singela / Falando duma promoção / Senhor publicitário / Não consumo teus produtos / Teu slogan eu não leio / Anuncie em outro horário / Utilizando outros recursos / Pois pop-up eu bloqueio”. O poema está no blog de Rafael Tourinho Raymundo.

É comum encontrar quem deteste pop-ups. Apesar de existirem pesquisas e pesquisas que nunca apontaram unanimidade contra os pop-ups, os navegadores (os “browsers”) passaram a oferecer um mecanismo para bloqueá-los. Por sua vez, os designers da web criaram variações menos intrusivas e com outros nomes. O público internauta tem reagido com tolerância – e até muito gosto. As alternativas mais comuns aos pop-ups são essas:

• O anúncio dito “dhtml”, iniciais de “dynamic hypertext markup language”. Parece um pop-up, mas ele flutua sobre a página e adquire outros formatos que não o de janela. Pode ser rapidamente desativado com um clique.

• O “interstitial”, uma intervenção maior quase sempre relacionada à exposição de vídeos, mas que impede a navegação.

• O “superstitial”, um não-banner altamente interativo.

• O “hyperstitial”, uma variação do “interstitial”. Permite exibição de anúncios de tela inteira enquanto se faz o download da uma página. Seria uma espécie de comercial entre páginas web…

As reações existentes contra o pop-up fizeram com que, há poucos dias, advogados conseguissem até uma aprovação da justiça federal americana para usar pop-ups na internet. Coisa de advogados e também símbolo de um momento protagonizador do último suspiro dos pop-ups. Já faz anos, a América Online, quando era poderosa, decidiu eliminar os pop-ups de suas páginas, numa decisão considerada muito corajosa pelo mercado naquele momento. O Yahoo já não o usava, o Google muito menos, este último um serviço mundial de busca nascido e criado sem pop-ups.

No Brasil, quatro entre os sete maiores portais se recusam a prover pop-ups: Google, MSN, Yahoo e Globo.com. O Terra os usa, mas os reveza com uma forma específica de “dhtml”. O iG não os usa na sua homepage, prefere “dhtml” ou procedimentos mais inovadores. O UOL os tem usado, em escala decrescente na homepage, mas com presença constante em determinados canais.

No entanto, tudo indica que o pop-up tende mesmo ao fim. Será substituído por elementos menos intrusivos e mais respeitadores da navegação. Ele faz parte da pré-história da internet. Estava bastante ligado à idéia de que a beleza das páginas deveria se sobrepor às facilidades e ao conforto na navegação. Ou que a surpresa junto ao público conseguiria criar uma empatia com o produto ou serviço nele anunciado. O Google, de certa forma, ajudou a reeducar o mercado ao fazer sucesso mundial com uma homepage sem pop-ups nem banners, com a página mais rápida da internet. Muito internauta chama a página do Google para ver, por exemplo, se a sua conexão funciona. Quando a página do Google não aparece muito rapidamente sabe-se que há problemas na conexão.

Isto não quer dizer que os banners também serão banidos da rede mundial como estão sendo banidos os pop-ups. Nem que a tecnologia de links patrocinados (cujos maiores operadores são Google e Yahoo) vá substituir os anúncios tradicionais na rede como os banners, os botões e todas as variações listadas acima em substituição aos pop-ups velhos de guerra. A entrada do vídeo na internet (que ainda vai demorar um pouco para existir “comercialmente”) provoca os agentes a buscarem formas capazes de explorar todas as novas características do novo meio, desta que é a mãe de todas as mídias. Os trabalhos já começaram, mas ainda há muito a fazer. Os monitores de computador e as telinhas dos celulares precisam de ajustes ou “up-grades” (sem falar nas placas de vídeo) para dar à web o sentido comercial que o vídeo nela merece. Enfim, que o pop-up repouse muito bem neste seu ocaso de vida.

*Caio Túlio Costa é jornalista e presidente do Internet Group, que reúne o iG, iBest e o BrTurbo. Texto publicado originalmente no semanário Meio & Mensagem de 13/8/2007 à pág. 11.

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